quinta-feira, 19 de maio de 2011

A menina que jogava bola

Nas tardes de sábado o suor já invadia sua testa,

Chuteira rasgada, e a unha sangrava

Sua mãe, brava, lhe chamava para o banho

-Calma mãe só mais um gol e eu ganho!

É estranho para os vizinhos que olham

A menina gostar tanto de bola.

Mas menina e bola formam par perfeito

Menos quando chão vai contra o dedo

Ai menina chorava, e a mãe gritava

-Vamos! Pinte a unha e varra a casa!

A mãe não se agradava, pois a menina não mais dançava,

Só chutava

O pai de tão nervoso

Furou a bola com o osso

Que arrancou do cachorro que dera a filha no natal

O irmão nem se importava,

A menina lhe era motivo de piada

Principalmente quando ela se arrastava

E no bumbum o short furava.

A menina não entendia

O que errado fazia

A menina não queria mudar seu penteado,

Nem comprar um novo calçado

Ela queria uma bola, ela queria um gramado

Tudo era tão bonito em seus sonhos

Mas a mãe os destruía

Ela não a entendia, nem ouvia

Era quase uma “bolafobia”

A menina chorava

A mãe se exaltava
-O que te falta?Comida?Casa?

A menina não sabia o que lhe faltava,

E também porque a mãe tanto se irritava,

Mas como não queria apanhar abaixava a cabeça,

E quando a ira de sua mãe abaixava,

Sorria e via

Uma nova tarde para jogar...

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