quinta-feira, 19 de maio de 2011
Cidade como corpo
Após horas trabalhando em prol da sobrevivência tanto de seu corpo, quanto do corpo urbano, os braços não querem mais vender bonés, entregar panfletos, fazer lanches, assinar documentos ou contar dinheiro. A cidade está cansada, e por suas pernas, milhares de corações pulsam ansiosos pelo descanso. Cansados do intenso pulsar do coração urbano, todos quase ao mesmo tempo, se aglomeram nas pernas, tendo como destino os membros periféricos. A cabeça muitas vezes tem fome, fome de novos sons cheiros e sabores, e busca saciar-se nas artimanhas fabricadas por cabeças alheias. A cabeça desse grande corpo nem sempre pode ser governada, mas, infelizmente os meios para se chegar a ela sim. Porém, mesmo depois das seis, enquanto houver corações a cidade não para de pulsar, de crescer, de aprender, evoluir, ouvir a si mesma, buscar soluções ou simplesmente ser.
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